Há quase treze anos afastada das salas de aula, Maria Betânia de Souza fará pela primeira vez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste final de semana em Petrolina, no Sertão pernambucano. Na família, ela não será a única a passar pela prova, sua filha e maior incentivadora, Mariana de Souza, também fará o exame. Mãe e filha pretendem conquistar uma vaga na universidade.

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Betânia tem 45 anos, terminou o ensino médio e ainda chegou a cursar a faculdade de Biologia. Mas, ela conta que nos primeiros períodos desistiu e se dedicou ao comércio próprio de roupas e acessórios. Atualmente ela trabalha com venda de planos de saúde. “Agora eu tenho sentido vontade de voltar a estudar. Minha filha me incentiva bastante. Quero fazer Serviço Social, Administração ou Recursos Humanos. Essas são áreas que me identifico bastante”, destaca.

Para alcançar o sonho de entrar em uma universidade pública, Maria Betânia conta com um apoio especial, a filha mais velha, Mariana de Souza, de 18 anos, que também vai fazer a prova neste sábado (8) e domingo (9). “Ela me dá dicas do que vai cair no exame e até pega no meu pé para eu estudar mais. Acho que a minha maior dificuldades será na redação e em português”, comenta.

Veterana, esta é a terceira vez que a jovem Mariana faz o Enem. Há um ano, ela já cursa Farmácia na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), mas seu grande desejo é fazer Medicina e ainda poder encontrar a mãe no campus da universidade. “Estou pensando em voltar para o cursinho ano que vem. Tenho que ter muito foco e Medicina tem muita concorrência. Eu estou até pensando em trancar o meu curso para me dedicar aos estudos para o Enem”, justifica a estudante.

Mariana disse ainda que passou a motivar a mãe a fazer o Enem após ver pessoas mais velhas nas salas de aula de cursinhos pré-vestibulares. “Enquanto não me chamaram para o curso de Farmácia, eu fazia pré-vestibular e lá tinha contato com gente mais velha se preparando para o Enem. O que eu falo para minha mãe é que não tem idade para estudar. Por isso, fiz a inscrição dela no Enem”, afirma.

A jovem divide a rotina de estudos entre as matérias do curso de Farmácia e voltadas ao Exame Nacional do Ensino Médio. “Como eu não tenho tempo para estar no cursinho presencial por conta da faculdade e dar um apoio maior a minha mãe, procuro videoaulas na internet e dou a senha para ela assistir também em casa”, explica.

Sobre a aprovação do curso de Medicina, a estudante diz que a mãe não interfere nas suas decisões. “ Ela sempre me deixou a vontade para eu escolher a minha profissão. Ela só quer que eu tenha uma estabilidade financeira”. Já sobre os cursos que a mãe almeja, Mariana argumenta: “Acho que é bem a cara dela mesmo”.

Como farão a prova em colégios diferentes, as duas irão separadas para a prova. Mas, a programação pós-exame já foi combinado por mãe e filha. “Com certeza vamos nos encontrar para comentar e debater as questões do exame”, garante Mariana.
 
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